Rede nega expulsão de Luzia de Paula e propõe mudanças na execução de emendas

A Rede sustentabilidade avaliou que não houve irregularidades na destinação de emendas da distrital Luzia de Paula (Rede), no valor de R$ 1,1 milhão para eventos culturais em Ceilândia e negou que tenha discutido a expulsão da deputada

Em reunião esta semana a Executiva da Rede (Rede Sustentabilidade), avaliou que não houve irregularidades na destinação de emendas da distrital Luzia de Paula (Rede), no valor de R$ 800 mil para eventos culturais em Ceilândia e negou que tenha discutido a expulsão da deputada. A sigla anunciou ainda que montará um grupo de trabalho para propor à Câmara Legislativa a modernização do sistema de acompanhamento da execução dos recursos.

De acordo com o porta-voz da Rede no Distrito Federal, Pedro Ivo, a reunião tinha em pauta vários temas, entre eles uma maneira de fazer com que a execução de emendas parlamentares tenham mais transparência tanto para a imprensa ao divulgar as informações, quanto para a sociedade, que por vezes não sabe como elas se dão ou sobre os tramites legais pelos quais elas são submetidas.

“Discutimos (a questão das emendas) sob a lógica de uma proposta e não com foco em a, b ou c. Nós concluímos que o sistema de emendas é antigo, arcaico e pouco claro para as pessoas. O cidadão comum e a imprensa não sabem como elas são executadas”, avalia Pedro Ivo

O porta-voz aproveitou para negar informações sobre uma possível expulsão da deputada, que havia sido ventilada por membros da Rede, chamados também de “elos”.

“A Rede não viu nenhum ato ilícito da deputada. Ela apenas se prendeu a um sistema que é confuso e pouco claro. Apenas 20% das emendas dela são para a cultura. Há uma proposta até que a Corregedoria analise todas as emendas de deputados e é isso que nós queremos”, disse Pedro Ivo.

“Nós não temos motivo para desconfiar da deputada, até porque o sistema é falho. É preciso de um acompanhamento da própria Câmara, como do governo. Precisamos de um novo modelo transparente e claro. Não houve nenhum problema de equívoco da deputada e o sistema é arcaico”, afirmou ao lembrar que Luzia não é a parlamentar com maior número de emendas para a cultura, completa o porta-voz, lembrando que cada secretaria do GDF possui uma regra para a execução de recursos parlamentares.
Mágoa

A informação sobre uma possível reunião para seu afastamento também chateou a deputada Luzia de Paula, que negou que o encontro tenha tido esse objetivo. “Não foi verdade que a Rede tenha feito uma reunião para discutir uma expulsão. Isso são coisas de pessoas que não pertencem ao elo, que forma a Rede, e representam mentiras. A reunião foi para a defesa da minha integridade e para propor mais transparência para a execução de emendas. Eu me senti valorizada, confortável, acolhida”, declarou Luzia de Paula.
Arcaico

Para a Rede, o atual modelo de indicação de emendas e de sua execução é arcaico e confuso, por isso, a sigla quer formar um grupo para estudar e enviar uma proposta de transparência para a Câmara Legislativa. O mesmo deverá ser feito com o Executivo, para que as pastas possam ter demonstrativos claros de como os recursos estão sendo empregados.

De acordo com Pedro Ivo, o primeiro passo será dado com os próprios distritais que fazem parte da sigla – Cláudio Abrantes, Chico Leite e a própria Luzia de Paula –, que terão que prestar contas e acompanhar de que forma essas emendas estão sendo geridas, após aprovadas no Plenário da Câmara Legislativa.

“Todos os nossos parlamentares vão criar um sistema para que a imprensa e o cidadão possam saber para onde está indo o dinheiro e vamos propor ao governo que faça o mesmo. Se todos trabalharmos juntos podemos criar um novo modelo”, propõe o porta-voz.
Janela de Transferências

O porta-voz da Rede aproveitou para minimizar as chances de perder distritais durante a janela de transferência partidária. Fontes de partidos próximos interessados nos parlamentares da sigla comandada por Marina Silva, afirmam que dos três distritais, pelo menos dois estariam na mira de outras legendas: Luzia de Paula, que teria propostas do PDT e do PSB, entre outros, e Cláudio Abrantes, que, entre outras legendas, também foi sondado pelo PDT.

Segundo ele, “assim como a Rede não fez grandes esforços para conquistar parlamentares e filiados, o mesmo não será feito com aqueles que quiserem deixar a sigla.

“Não estamos fazendo esforços. O objetivo da Rede é a sociedade, consideramos que a política passa por um desgaste e a Rede oferece um novo caminho. Assim como não fizemos estratégias para traze-los não vamos fazer para segura-los. A única coisa que temos é a nossa plataforma de política. Claro que, por estamos inseridos no processo parlamentar, queremos bons políticos. Mas não vamos fazer nada que vá contra nossos valores”, declarou Pedro Ivo, que completa: “Na Rede entra e fica quem quer ter boas práticas e seguir nossos valores. Não temos nenhuma estratégia diferenciadas para segurar ninguém”.

A informação de que uma fonte da própria Rede havia dito que a reunião da noite da última quarta-feira poderia significar uma possível saída de Luzia de Paula da sigla contrariou a distrital, que confirmou algumas propostas, sem apontar ou confirma de onde partiram, incluindo o PDT. Porém, ela negou que esteja estudando sair.

“Fico feliz de que meu nome tenha sido lembrado pelo PDT, mas ninguém me procurou ou me convidou. Fico agradecida, mas não tenho a intenção de sair”, afirma Luzia, que diante de ilações sobre sua expulsão completou: “Mas, só fico onde não incomodo ninguém”.

Cláudio Abrantes também nega a saída, mas fontes próximas confirmam que o distrital foi procurado pelo PDT. De acordo com o grupo do parlamentar, Abrantes não vê como propícia sua saída da Rede por ter acabado de ingressar nela.

O grupo acredita que não há motivos para troca, como houve à época da saída do PT, onde o distrital não tinha espaço para crescer dentro da legenda.

Fonte: Fato Online