
Em entrevista a Paulo Melo, o presidente da Ceasa-DF, Bruno Sena Rodrigues, falou sobre modernização, segurança alimentar, combate ao desperdício e os desafios de conectar o campo à mesa do consumidor

O Isso é Agro Podcast recebeu Bruno Sena Rodrigues, diretor-presidente da Ceasa-DF, para uma conversa sobre um tema essencial para a população: o abastecimento de alimentos no Distrito Federal. Durante o episódio, conduzido por Paulo Melo, o entrevistado explicou que a Ceasa vai muito além de um grande mercado atacadista. O espaço funciona como uma verdadeira engrenagem de logística, comercialização, geração de empregos, segurança alimentar e apoio ao produtor rural.
Segundo Bruno Sena, cerca de 50% do abastecimento de alimentos do Distrito Federal passa pela Ceasa. O complexo reúne aproximadamente 195 empresas, quase mil produtores, centenas de trabalhadores e recebe, em média, até 100 mil visitantes por mês. Para ele, a central é uma “mini cidade”, com desafios próprios de infraestrutura, segurança, limpeza, resíduos, mobilidade e gestão.
Um dos pontos centrais da entrevista foi o processo de modernização da Ceasa-DF. Bruno destacou que a empresa recebeu um aporte de R$ 18 milhões do Governo do Distrito Federal, recurso que permitiu iniciar obras e melhorias estruturais. Entre as ações citadas estão a modernização da rede elétrica, melhorias no sistema de esgoto, troca da iluminação, recuperação de acessos, revitalização de espaços e avanços na antiga Multifeira, hoje chamada de Feira Mix.
O presidente também falou sobre projetos voltados à sustentabilidade. A Ceasa-DF já aderiu ao mercado livre de energia, reduzindo custos mensais, e planeja avançar na implantação de energia fotovoltaica. Na área de resíduos, a meta é ampliar o reaproveitamento do lixo orgânico, com compostagem e retorno do adubo aos produtores. Atualmente, a central gera cerca de 400 toneladas de resíduos por mês, sendo a maior parte de origem orgânica.
Outro tema de destaque foi o Banco de Alimentos, apontado por Bruno como um dos maiores orgulhos da gestão. A iniciativa combate o desperdício e contribui para a segurança alimentar, atendendo milhares de pessoas por meio de entidades cadastradas. O programa recolhe alimentos em boas condições que, por questões estéticas ou proximidade do vencimento, poderiam ser descartados, e os destina a famílias em situação de vulnerabilidade.
Durante a entrevista, Bruno também defendeu que a Ceasa precisa “sair dos seus muros” e ampliar sua presença na sociedade. Para ele, o futuro das centrais de abastecimento passa por inovação, certificação de qualidade, fortalecimento do produtor rural, programas sociais e novas ferramentas de comercialização, como marketplaces e soluções digitais.
Ao final do episódio, Paulo Melo ressaltou que o agro não termina na colheita. Ele continua na logística, na comercialização, no abastecimento e na chegada do alimento à mesa do consumidor. A entrevista mostrou que a Ceasa-DF tem papel estratégico nessa ponte entre quem produz, quem vende e quem consome.
Bruno deixou uma mensagem aos produtores, trabalhadores, permissionários e consumidores: continuar acreditando na Ceasa. Para ele, apesar dos desafios, a central tem um futuro promissor e segue sendo fundamental para o desenvolvimento econômico, social e alimentar do Distrito Federal.
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