Expogenética, realizada de 15 a 23 de agosto, em Uberaba (MG), coloca em evidência um desafio do setor: transformar visibilidade, relacionamento e contatos comerciais em negócios
O agronegócio brasileiro é marcado pela
evolução constante em genética, produtividade, gestão e tecnologia. Mas, quando
o assunto é marketing, ainda é comum encontrar empresas que associam a área
principalmente à divulgação da marca, produção de conteúdo ou presença nas
redes sociais. Para Matheus Mundim, que esteve à frente de mais de 500 projetos
de marketing e vendas nos últimos anos, essa visão pode fazer com que boas
oportunidades de negócio sejam desperdiçadas. Ele lidera a V4 Mundim & Co.,
uma das maiores operações da V4 Company, referência entre agências de marketing
do Brasil.
“Marketing não é panfletagem. Na prática, ele
atua na otimização dos canais de aquisição, na melhoria do processo comercial e
na retenção e expansão da própria base de clientes. É um núcleo estratégico da
empresa”, afirma Mundim.
A discussão ganha relevância em agosto,
quando Uberaba (MG) recebe a Expogenética, uma das principais vitrines da
genética bovina do país. Durante eventos desse porte, empresas investem em
estandes, equipes, relacionamento e apresentação de produtos e serviços. O
desafio, segundo Mundim, é fazer com que esse movimento não termine junto com a
feira.
Antes de
buscar novos clientes, olhe para quem já comprou
Para empresas do agro que ainda não possuem
uma estratégia de marketing estruturada, Mundim recomenda começar olhando para
dentro do próprio negócio.
“O primeiro passo é fazer o 80/20 da empresa:
entender de onde vem a maior parte da receita, quem são os principais clientes
e por quais canais eles chegaram. Muitas vezes encontramos nesse processo uma
base relevante de clientes inativos, pessoas que já compraram e, por algum
motivo, deixaram de comprar. Esse é o dinheiro que já está na mesa”, explica.
A partir desse diagnóstico, a orientação é
revisar processos comerciais e a jornada do cliente antes de simplesmente
aumentar investimentos para atrair novos públicos.
Na avaliação do especialista, essa mudança de
perspectiva também ajuda a aproximar as empresas do agro das novas tecnologias.
Isso porque as estruturas de marketing passaram a trabalhar cada vez mais
integradas a dados, automação, inteligência artificial e ferramentas de gestão
comercial. “Quem consegue avançar nessa área ganha vantagem competitiva”,
afirma.
Feira cheia
não significa venda garantida
A Expogenética também exemplifica outro ponto
destacado por Mundim: a diferença entre gerar contatos e efetivamente
transformá-los em oportunidades comerciais.
Segundo ele, uma grande feira permite
posicionar a empresa diante do mercado e da concorrência, ampliar a percepção
de valor da marca e estreitar o relacionamento com clientes estratégicos. Mas o
resultado depende de preparação.
“São ambientes em que surgem muitas questões
técnicas. Por isso, não basta ter um estande bonito. É preciso ter um time
preparado para atender, entender as necessidades de quem chega e registrar
essas informações”, explica.
O trabalho também continua depois que as
portas da feira se fecham. Os contatos realizados precisam ser organizados e incorporados
a um processo comercial que preveja novas abordagens e diferentes pontos de
contato ao longo do tempo.
“É preciso entender que, muitas vezes, a
conversa na feira é apenas o primeiro contato. Se aquela pessoa simplesmente
entra em uma lista e ninguém trabalha essa relação depois, boa parte do
potencial do evento se perde”, diz Mundim.
Estratégia
aplicada ao agronegócio
É justamente nesse cenário que a V4 Mundim
& Co. acaba de assumir a estratégia de marketing de mais uma empresa do
agro, a Geneal Diagnósticos, do segmento de genética bovina e que estará presente
na Expogenética. A chegada da empresa ao portfólio amplia a atuação da operação
liderada por Mundim no agronegócio. O trabalho contempla produção de conteúdo
para canais digitais, estratégia de marketing, jornada do cliente, atendimento
e apoio ao processo comercial.
Para o diretor da Geneal
Diagnósticos, Rodolfo Rumpf, a estruturação do marketing acompanha os planos de
expansão da empresa. A expectativa é ampliar a atuação em regiões do Brasil
ainda não alcançadas pela marca e preparar o mercado para novos produtos que
devem ser lançados em breve. “Queremos que essas novidades cheguem a produtores
de todo o Brasil e, futuramente, até do exterior”, afirma.
Rumpf destaca ainda que
a Expogenética representa uma oportunidade estratégica para ampliar o
relacionamento com o mercado e conquistar novos clientes. “É um evento em que
os produtores mostram justamente o que estão fazendo de diferente. Nosso papel
é dar suporte aos criadores para que a inovação e a evolução genética aconteçam
de forma cada vez mais estruturada e rápida”, explica. Segundo ele, um
marketing mais estruturado também deve contribuir para que os novos contatos
realizados durante a feira sejam efetivamente trabalhados e convertidos em
oportunidades para a empresa.



