Missão técnica na Itália e na Espanha reuniu cooperativas e lideranças do setor cafeeiro para aprofundar estratégias de governança, denominação de origem e posicionamento internacional da marca
A Região do Cerrado Mineiro deu mais um passo em sua
estratégia de consolidação internacional como origem produtora de cafés de alta
qualidade. Entre os dias 27 de abril e 1º de maio, lideranças do setor cafeeiro
participaram de uma imersão técnica na Itália e na Espanha, em uma agenda
voltada a conhecer modelos consolidados de valorização territorial, governança,
rastreabilidade e posicionamento de marca no mercado global.
Realizada em parceria com o Sebrae, a missão reuniu
representantes das cooperativas Carmocer, Carpec, Coocacer Araguari, Coopadap,
Expocacer e MonteCCer, além da Fundação de Desenvolvimento do Cerrado Mineiro
(Fundaccer) e da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.
O roteiro teve início em Sudtirol, no norte da Itália,
região reconhecida pela forte identidade territorial e pela capacidade de
integrar tradição, cultura, excelência produtiva e estratégia de mercado.
Durante as visitas técnicas e encontros com lideranças locais, a comitiva pôde
conhecer de perto práticas relacionadas à denominação de origem,
rastreabilidade e construção de valor a partir do território.
Na sequência, o grupo seguiu para Rioja, na Espanha, uma das
principais referências mundiais em denominação de origem para vinhos. A agenda
incluiu visita ao Conselho Regulador de Rioja, onde os participantes conheceram
modelos de governança, proteção de origem e valorização territorial aplicados a
mercados internacionais altamente competitivos.
“Estivemos em regiões como Südtirol, na Itália, e Rioja, na
Espanha, referências mundiais na construção de marcas fortes, conectadas à
origem, à cultura e ao valor agregado. Fomos buscar conhecimento e também
confirmar que o Cerrado Mineiro tem base sólida e potencial global. Agora,
avançamos para deixar de ser reconhecidos apenas como origem produtora e nos
consolidar como um território de valor, identidade e propósito, fortalecendo a
marca e gerando mais valor para o produtor”, afirma o presidente da Federação
dos Cafeicultores do Cerrado, Gláucio de Castro.
A imersão faz parte de um movimento estratégico da Região do
Cerrado Mineiro para fortalecer sua atuação em mercados que reconhecem e
valorizam atributos como origem, qualidade, sustentabilidade e organização
coletiva. Primeira região do Brasil a conquistar a Denominação de Origem para
cafés, o Cerrado Mineiro busca adaptar referências internacionais à sua própria
realidade, ampliando a percepção de valor da marca e dos cafés produzidos no
território.
Para o diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do
Cerrado, Juliano Tarabal, a experiência reforça a importância da construção
coletiva e de longo prazo para gerar valor de forma consistente.
“Ao lado de referências mundiais em identidade territorial e
denominação de origem, buscamos conhecimento para fortalecer a nova fase da
nossa região. Mais do que visitar destinos consolidados, a experiência nos
permitiu entender como tradição, governança e organização se transformam em
valor no mercado”, destaca.
A iniciativa também reforça o papel da governança regional
na construção de uma marca territorial forte. Ao observar modelos europeus já
consolidados, a Região do Cerrado Mineiro aprofunda sua visão sobre como
proteger a origem, fortalecer a reputação coletiva e ampliar sua
competitividade no cenário internacional de cafés de origem controlada.
Sobre a Região do Cerrado Mineiro
Primeira Denominação de Origem (DO) para café reconhecida no
Brasil, a Região do Cerrado Mineiro abrange 55 municípios, cerca de 250 mil
hectares cultivados, sendo 100 mil irrigados, e responde por aproximadamente 6
milhões de sacas por safra — o equivalente a 25,4% da produção mineira e 12,7%
da produção nacional. A região reúne 4.500 produtores certificados e é
referência global em rastreabilidade, governança e sustentabilidade.



