O uso dos jogos de tabuleiro como estratégia para a promoção da saúde mental


Renata Nascimento*


A história dos jogos de tabuleiro é muito antiga, não se sabe ao certo o período em que surgiram, mas sugere-se que tenha sido há 5.000 anos antes de Cristo, nas regiões da Mesopotâmia e Egito e eram chamados de “jogos de passagem da alma”. Os povos daquela época, acreditavam que o ato de jogar poderia ser uma forma de diversão eterna, por este motivo, os jogos pertencentes aos falecidos eram enterrados juntamente com seus bens pessoais, assegurando-lhes esta crença.

Ao longo dos anos, os jogos foram evoluindo e sendo adaptados às culturas de cada povo até chegarem aos dias atuais sendo conhecidos como Board Games. Este nicho vem ganhando cada vez mais destaque, com diversas modalidades, títulos e autores, com um grande investimento em espaços específicos para este fim.  Em São Paulo há várias casas de Board Games onde as pessoas se reúnem para se divertirem, e o online não é permitido. Há lugares que têm até cardápio de jogos, onde você pode escolher os seus jogos preferidos ou conhecer alguns que nunca tenha jogado. Há também os encontros mensais e anuais, os quais proporcionam entretenimento e contato com os lançamentos de mercado.

 

Confesso que saber o quanto este mercado está crescendo e ganhando cada vez mais adeptos, me deixa animada principalmente porque entendo a importância de ter momentos de lazer e também por ser adepta desta brincadeira.

Através da minha experiência com esta atividade lúdica, experiência esta que envolve desde jogar com meus pacientes, principalmente crianças, quanto à minha vivência pessoal com este universo, que a princípio parecia apenas um divertimento sem muita importância, comecei a observar o quanto é benéfico a prática dos jogos de tabuleiro, pois em um ambiente onde há trocas de ideias, acolhimento, senso de pertencimento, fortalecimento dos laços de amizade, são criados momentos de relaxamento e descontração, diminuindo a tensão e o estresse do dia a dia; há interações entre as pessoas; desenvolvimento das funções cognitivas como pensamento estratégico, memória, atenção, percepção, raciocínio lógico e outros; aprimoramento do aprendizado em lidar com a frustração da perda; enfrentamento de desafios; exercício da criatividade e momentos de alegria. Todos estes aspectos podem colaborar para que as pessoas se sintam mais equilibradas mental e emocionalmente para lidarem melhor com as dificuldades da vida.

 

Aqui em casa temos o hábito de reunir os amigos, uma vez por semana, para jogar jogos de tabuleiro. E eles são muitos, temos mais de 150 jogos catalogados em nossa estante, e que delícia é poder compartilhar momentos de descontração com amigos e familiares queridos. Quando nos reunimos com os amigos ou com os familiares, estabelecemos uma interação social que é de extrema importância para o nosso bem-estar emocional, pois a falta desta interação pode ser um estímulo para o desenvolvimento do estresse, depressão e crises de ansiedade.

Hoje em dia, em um mundo tão digital, em que as pessoas mantêm relações superficiais, em que as famílias, por conta de uma rotina acelerada, mal se sentam com seus entes queridos para compartilharem conversas ou até mesmo uma refeição juntos e quando têm um tempo livre estão conectados às redes sociais, trazer a ideia dos jogos de tabuleiro como uma diversão offline, que propõe aproximação e interação entre as pessoas, é uma ótima opção para o fortalecimento da nossa saúde mental.

Criar este hábito pode ser uma estratégia colaborativa para a promoção da sua saúde mental. Experimente este Universo Offline, você pode se surpreender com os resultados!  

 

 

*Renata Nascimento é psicóloga clínica


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