Soluções biológicas auxiliam na regeneração dos sistemas agrícolas e melhoram a produtividade e rentabilidade dos campos

 Live promovida pela Gênica apresentou o Sistema REGENERA, que pretende fomentar o manejo regenerativo de sistemas, contribuindo com o incremento de produtividade e rentabilidade no campo


 

Com o objetivo de responder a pergunta: “Quantas sacas por hectare você já perdeu por seu sistema estar degradado?”, a Gênica, empresa de biotecnologia, promoveu um evento online que reuniu dois especialistas para debater as oportunidades e melhorias geradas pela adoção de bioinsumos na produção agrícola nacional.

O evento contou com a participação do Prof. Dr. Antonio Luis Fancelli (Sistemas de Produção – ESALQ/USP), que tratou da importância de entender os sistemas de produção como um todo e o Prof. Dr. Fernando Andreote, (Microbiologia do Solo – ESALQ/USP), que destacou a influência do manejo na biodiversidade, evidenciando a parte biológica do sistema.

“Nossa ideia é, por meio dos conhecimentos apresentados pelos dois professores, mostrar aos nossos parceiros como integrar a teoria com a prática, implementando sistemas regenerativos e fortes para construirmos uma agricultura mais rentável, produtiva e sustentável. Esse foi o principal objetivo do encontro online”, destacou o gerente de Marketing da Gênica, Gerson Marquesi.

Recordando alguns conceitos importantes, principalmente da visão holística da agricultura, o professor apresentou um breve histórico sobre a trajetória do homem e a agricultura, destacando a evolução dessa relação, que possibilitou a produção de alimentos e, consequentemente, o crescimento da população.

“A agricultura é a arte de colher o sol. Isso parece muito simples, porém quando conduzimos a agricultura buscando única e exclusivamente em produtividade a qualquer custo, sem considerar como o ambiente está sendo penalizado, essa atividade pode ter sua sustentabilidade reduzida. É muito importante na prática da agricultura que tenhamos responsabilidade, respeito e, principalmente, conhecimento”, destacou Fancelli, em sua apresentação “Agroecossistema e a vulnerabilidade de sistemas simplificados de produção”.

O professor destacou o surgimento dos agroecossistemas, sistema originado pela ação do homem, mediante a transformação ou adaptação do ecossistema natural, para a produção de alimentos. “Esse sistema tem os mesmos componentes e estrutura do natural, mas simplificado. Quando o homem adentra nesse sistema, alterando sua estrutura, ele inicia um processo de desequilíbrio, já que o sistema perde sua complexidade”, afirmou.

Segundo ele, é necessário relembrar as leis naturais, que destacam a complexidade e a diversidade como elementos que geram a estabilidade, ou seja, quanto mais diversificado for um ecossistema mais ele será estável, pois apresenta relações extremamente acentuadas de interação.

“Nesse sentido, podemos dizer que as técnicas utilizadas hoje nos sistemas agrícolas, como a monocultura, utilizam estratégias simplistas que, consequentemente, geram instabilidade e desequilíbrio. Isso porque trabalhamos com baixa diversidade e complexidade, situação que resulta em problemas relevantes para a produção, como o surgimento de plantas daninhas, as quais podem ser vistas como uma tentativa da natureza de diversificar as plantas disponíveis naquele espaço”, explicou Fancelli.

“Hoje é difícil imaginarmos fazer agricultura sem tecnologias e técnicas que são aplicadas há anos na produção de alimentos, como o uso de defensivos e fertilizantes, por exemplo. Porém, temos no mercado uma série de soluções que permitem promover maior diversidade nos sistemas e podem ser usadas junto às práticas convencionais da atividade”, ressaltou Fancelli. 

Compatibilizando o manejo agrícola com a microbiologia do solo

Em sua apresentação, o professor Andreote destacou a conectividade existente entre os elementos presentes no solo e a importância dessa relação para o sucesso do sistema agrícola.

“Quando falamos de solo é comum lembrarmos, inicialmente, apenas da sua parte física, como a textura e a parte nutricional, mas temos muito mais do que isso, com destaque para a parte biológica, que é um dos elementos mais importantes para o desenvolver de uma planta”, afirma Andreote.

Ele salientou as diferenças existentes entre o solo original e o utilizado pela agricultura, que, por conta das intervenções geradas pelo uso de tecnologias, acaba por promover uma degradação e um desequilíbrio das relações desse elemento essencial para a produção de alimentos.

“Para usar o melhor potencial desse sistema, que é o solo, temos que entender e compreender a sua complexidade e como a relação entre os elementos é importante para o equilíbrio. No caso da agricultura, técnicas utilizadas para potencializar a produção de alimentos acabam mudando o microbioma do solo, simplificando o ambiente e até mesmo o seu pH”, afirmou Andreote.

Dentre os problemas derivados da perda da qualidade biológica do solo está a diminuição da biodiversidade e da atividade microbiana, que gera uma menor ciclagem de nutrientes, ocasiona a depleção da rizosfera e a supressão da estrutura de agregados. “Com isso, abrimos espaço para ataques de fungos e nematoides, gerando menor nutrição das plantas e maior demanda de insumos”, acrescentou Andreote.

Nesse sentido, ele ressaltou a importância de investir na qualidade do solo, com soluções que auxiliem no aumento da complexidade do ambiente e que sejam menos agressivas, possibilitando o uso de métodos mais invasivos, quando necessário.

“Temos assistido cada vez mais o crescimento do uso de produtos biológicos na agricultura que, quando utilizados de forma aditiva às técnicas já tradicionais na agricultura, passam a oferecer melhores resultados na produção agrícola”, enfatizou o professor.

“Hoje o mercado oferece tecnologias biológicas que apresentam melhorias significativas para a biologia do solo e, consequentemente, na produtividade, tanto em quantidade como em qualidade. Essas soluções devolvem ao solo uma condição mais próxima da original, ocasionando menor incidência de pragas e doenças e melhorando o enraizamento das plantas”, pontuou Andreote. 

Sistema REGENERA

Ao final, o gerente de Marketing da Gênica apresentou aos participantes da live uma nova solução da empresa, que pretende oferecer aos clientes e parceiros a parte prática dos conceitos apresentados ao longo do evento.

“Dentro das ações apresentadas para melhorar o equilíbrio dos sistemas está o uso de bioinsumos, que têm crescido no mercado, mas que podem ter seu potencial ampliado. Por isso, desenvolvemos o Sistema REGENERA, que tem como função principal catalisar essa alteração no manejo para que possamos adotar um sistema regenerativo, que permita complexidade e diversidade”, explica Marquesi.

De acordo com ele, o desequilíbrio do sistema está evidente nos sistemas agrícolas. Exemplo disso é a presença de pragas secundárias, que não eram vistas como ameaças, mas que estão se tornando, cada vez mais, preocupantes em grandes cultivos, como o caso da cigarrinha-do-milho, por exemplo.

“Temos que parar de pensar de maneira pontual e estruturar um sistema mais integrado e robusto para melhorar a produtividade e a rentabilidade da agricultura. Temos que usar o manejo biológico não apenas para regenerar o sistema, mas olhar o sistema como um todo”, enfatizou Marquesi.

Por meio das soluções já existentes no portfólio da empresa, a Gênica pretende, com o REGENERA, oferecer manejos regenerativos que constituam um sistema mais estável, de acordo com a necessidade de cada cliente.

Os pilares desse sistema compreendem no diagnóstico da diversidade biológica do sistema, por meio da plataforma Agri-Analysis; a capacitação, com treinamentos com grandes nomes do agronegócio brasileiro, no Gênica Biotech School e a indicação das soluções do portfólio da empresa.

A live completa, com as palestras e a apresentação do Sistema Regenera pode ser acompanhada na íntegra no canal da Gênica, no YouTube.

Postar um comentário

0 Comentários