O que é o futuro na agricultura de grãos?



 Por Edson Wobeto*

Inovação e transformação digital caminham lado a lado, revolucionando cadeias produtivas, e o Agronegócio é um exemplo vivo dessa evolução. O conceito 4.0, apoiado por tecnologias de ponta e conexões poderosas de internet, é a base de um novo modelo de operações cada vez mais automatizadas, com o reforço da Internet das Coisas (IoT) e sistemas de gestão inteligentes.

O segmento de Agronegócios é uma das indústrias mais impactadas na automação de processos, com recursos que chegam inclusive aos pequenos e médios produtores. No Brasil, a agricultura primária - especialmente arroz, feijão, milho, soja, algodão e trigo - é um dos principais pilares do agribusiness brasileiro.

O Brasil avançou no ranking internacional nas últimas duas décadas, alçando o posto de quarto maior produtor de grãos do mundo, e hoje responde por 7,8% da produção global, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). De acordo com o órgão, subordinado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em 2020 foram produzidas 239 milhões de toneladas de grãos, das quais 123 milhões de toneladas foram destinadas à exportação.

A safra de grãos no período 2020/21 deve alcançar 264,8 milhões de toneladas, com crescimento de 3,1% em relação à produção de 2019/20, conforme estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados divulgados refletem a influência da utilização da tecnologia no crescimento do setor.

Do plantio ao beneficiamento, todas as etapas da produção agrícola ganham em modernização e eficiência com inovações que incluem de sistemas de gestão a equipamentos autônomos conectados, capazes de capturar e entregar informações críticas, a qualquer momento, para diferentes terminais ligados à internet (IoT).

Intermediário entre a colheita e escoamento, o armazenamento é uma das etapas sensíveis no ciclo da agricultura, uma vez que produtos estocados em silos, ou celeiros, dependem de condições adequadas de temperatura, umidade e outros fatores que garantem a qualidade, permitem a “respiração” dos grãos e previnem a proliferação de microrganismos.

Além disso, para efeitos fiscais e controle do estoque, a gestão do que entra e sai nos armazéns tem de ser precisa, considerando variantes que vão além da comercialização, como as oscilações de peso e volume da mercadoria, provocadas, entre outros fatores, pela perda de unidade causada a secagem do produto armazenado.

IoT: um aliado na gestão da produção agrícola

Para evitar conflitos com o fisco, essas alterações precisam ser mensuradas a partir de um monitoramento constante e lançadas nos sistemas contábeis. É aí que o IoT se torna um grande aliado na aferição de estoques e, quando integrados diretamente ao ERP, na atualização instantânea das documentações contábeis, como balancetes e notas fiscais.

Na prática, balanças e sensores dotados de conectividade realizam medições e pesagens automaticamente, conferindo maior velocidade e precisão na operação, no controle e na gestão de estoques , com entrega imediata de informações que podem ser transferidos diretamente ao sistema de gestão, acessadas remotamente a qualquer momento pelos administradores do negócio.

Entre outras vantagens, a integração do IoT com o ERP não só reduz expressivamente o tempo gasto na conferência física do estoque e no lançamento de dados, como leva a zero a possibilidade de erros humanos, permitido um planejamento comercial e financeiro embasado por relatórios gerenciais que retratam a situação do armazém em tempo real.

Ao eliminar a necessidade de anotações e planilhas, que precisariam ser atualizadas a cada variação do conteúdo estocado, o binômio IoT e ERP otimiza a armazenagem de ponta a ponta e apoia a tomada de decisões, com a ajuda de ferramentas de BI e Inteligência Artificial, elevando o trabalho no campo ao nível da Indústria 4.0.

* Edson Wobeto é Gerente de Produtos da CIGAM S.A.

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